As nuvens negras começaram a fazer estrondos, a chuva começara a cair fina e as pessoas começaram a correr, abrir seus guardas chuvas e entrar em lojas ou ir para suas casas para se protegerem da chuva.
Ela olhou para cima sentindo a chuva leve molhando seus cabelos e suas roupas, entrou na loja, cogitou se deveria ou não, e comprou o sorvete, o que levou um sorriso doce ao seus lábios. Enquanto a vendedora punha as bolas de sorvete no cone, ela observava o lado de fora da loja, via a chuva caindo.
Pagou. Saiu. A chuva se transformou num temporal, não queria esperar, não tinha medo da chuva, gostava e gostava mais ainda com sorvete. Tomava sorvete debaixo da chuva, o corpo tremia de frio, mesmo agasalhada, era a chuva, era o vento e o sorvete. Gostava daquela sensação de frio, mesmo que seu corpo implorasse por algo quente.
O sorriso continuava em seus lábios, parecia uma criança, as pessoas que a observavam por dentro de lojas e de baixo de seus guarda chuvas achavam-na louca. Uma mulher que parecia uma menina tomando sorvete de baixo de chuva como se fosse um dia de sol.
Os cabelos longos, ondulados e negros que estavam presos numa trança que deitava em seu ombro esquerdo, os olhos verdes mel e a pele branca. As roupas em tons neutros, mas o suficiente para chamar atenção.
Sinal fechado.
Atrevessava a rua quando olhou para o lado. Arregalou os olhos, assustada, mas em seguida sorriu; em questão de segundos.
E no meio de um dia cinza, o cone do sorvete deitava no chão e o sorvete colorido de sabor manga, morango e sky agora se misturava junto ao vermelho do seu sangue. O dia cinza ganhava cores.
Não sabia que a Menina do Lacinho também escrevia!
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