domingo, 23 de dezembro de 2012

Only memories

Um dia eu decidi me matar, sair por aí que nem uma louca desvairada, era a hora e eu não poderia mais ir adiante com tal coisa, talvez fosse noite, talvez fosse dia, saí pelas ruas à sua procura, eu queria ver pela última vez aquele seu sorriso, escutar aquela voz que tanto amava, era esse meu último desejo, e então, o fiz.
Fui ao seu encontro, não realmente apaixonada, mas ensandecida, ah, seu sorriso! poderia ama-lo só pela beleza que é de vê-lo sorrindo, o hálito com cheiro de vodca, essa é a única lembrança do seu cheiro, qual é o seu perfume? e o cheiro natural da sua pele? ah, são tantas coisas que é melhor deixar para lá, eu queria apenas a perversidade e a pureza do seu coração por um último segundo, queria apenas ler a sua alma por uma última vez e sentir o gosto da sua pele em mim, dançamos conforme o ritmo, aproveitamos os últimos momentos de memória que poderíamos nos recordar um dia, mas não, não haveriam mais lembranças e nem mais suspiros, como eu poderia dizer que eu não te amo? tudo complicado demais para ser dito, era só a sua intensidade que fazia o coração acelerar.
Talvez fosse tarde, não tinha como dizer, nosso tempo havia se esgotado e a música tinha parado de tocar, toda a sua intensidade tinha acabado e o meu coração chorava, eu podia escutar seu choro em suas batidas, seguia cegamente um caminho para casa, oh, o caminho para o adeus, memórias me vinham e eu me despedia delas carinhosamente, mesmo as dolorosas, aquelas que faziam o coração se apertar, eu queria dizer adeus a todas memórias, a todas as nossas memórias juntos, ah, meus amores, eu estou partindo, eu estou indo, vocês irão me perdoar se eu vier a esquecê-los?    
Estava em casa, eu sabia que estava lá, finalmente em casa, abri a porta para a piscina e vi o que me parecia ser uma foto jogada na beira da piscina e fui até ela e a peguei no chão, uma foto feliz, minha, sua e de qualquer um que fosse, mas era uma memória feliz, sorri, e observei aquilo até escutar o barulho da porta atrás de mim, virei e havia visto um rosto assustado assim que me viu, nos encaramos, sem que eu entendesse muito todo aquele pavor naqueles olhos escuros, olhei em volta, e apenas quando olhei para baixo tudo tinha sentido.
Ah, você, você! você havia me acertado em cheio, eu estava sangrando, meu peito sangrava, levei a mão ao local ferido sentindo a blusa molhada e olhei para mão suja de sangue um tanto chocada. Au revoir! Au revoir! It's a sweet goodbye, my love. O mundo havia ficado embaçado a minha volta e não sentia mais nada, apenas as memórias vindo em minha mente, uma delas estava na minha mão, eu caía, talvez eu tivesse largado a foto enquanto a minha queda não terminava, a minha queda gelada e molhada, parecia em câmera lenta, parecia que eu caía de um penhasco, acertei a superfície da água e afundei, o mundo havia se escurecido, era noite! mas antes de ser noite, você veio, nossa última memória me veio, você, seus olhos, seu hálito adocicado de vodca e o sorriso, sim, o sorriso. Adeus!
Agora eu podia dizer livremente, era manhã, todos já haviam ido embora, você já não estava mais ali, havia desaparecido, sumido, todos eles, cada um deles, todas as lembranças tinham sumido, não completamente, suas marcas estavam em mim, mas eles tinham ido embora, todos os meus amores, por que todo adeus é triste, mas tão revigorante? o gosto de vodca havia ficado, apenas o gosto, o sorriso e os olhos se apagaram, junto com os outros hábitos, cheiros e características, o gosto da fumaça de cigarro ou o cheiro de um perfume que eu nem sequer lembrava mais o nome, nada mais fazia sentindo, me espreguicei e abri a janela naquela calma manhã, olhei para o espelho e sorri o sorriso que tanto amava.  
 

domingo, 16 de dezembro de 2012

Ergh!


Someone is dying.

a mulher quis se jogar em cima do corpo dele,  abraça-lo, sentir pele com pele e um beijo salgado de suor, quis tê-lo só para ela. as lágrimas escorreram, como isso pôde acontecer?
ela se aproximou dele, aconchegando-se em seus braços, sentia vontade de sumir.
suas mão alisaram a pele lisa e os músculos da barriga, o desejo de passar as unhas e fazê-lo sangrar, sangrar até a morte, a fez sorrir.
o homem ao lado, se mexeu, abriu os olhos e em seguida os fechou novamente, respirou fundo e demorou mais um pouco para poder acordar e olhar a mulher que tinha o rosto manchado de lágrimas ao seu lado.

- bom.. dia?! - disse ele , a mulher o olhou indiferente e nada disse - por que você está chorando?
- quem disse que eu estou chorando? - a mulher escondeu o rosto nele, o fazendo rir, ele puxou carinhosamente o rosto da mulher para cima, a encarou com um olhar divertido, enquanto limpava as lágrimas dela, deu um beijo leve na testa dela antes de encara-la de novo e dizer sorrindo:
- seus olhos me dizem isso.

aquele ar divertido, sorriso sereno e perfeito, como se nada tivesse acontecendo, a deixou com raiva, como é que ele não percebia aquilo?

Someone is dead.

ela queria arrancar o peito fora, as lágrimas de raiva se explodiram e ela sentou por cima do homem com as mãos fechadas no pescoço dele, o deixando um tanto surpreendido.

- ótima forma de acordar. agora me diz, o que foi que aconteceu, mulher? - disse o homem atordoado com aquela situação.
- você me pergunta o que aconteceu? olhe para gente, olhe para mim, você faz eu me apaixonar por você, faz com que tudo pareça perfeito quando não é. quantas outras você trata assim? quantas outras você ama? você vai me abandonar e eu não vou suportar isso - ela fez mais força em volta do pescoço do homem - então, eu prefiro que você morra!

o homem a encarou sério, riu sarcasticamente e trocou as posições num passe de mágica, ficando por cima da mulher, deixando-a assustada.

-  é isso que você acha? - tirou do pescoço as mãos já sem força da mulher e jogou os braços dela por cima dos seus ombros e encaixando-se a força entre a pernas dela. sorriu - tudo bem, então, eu deixo você me matar quando você quiser, mas saiba que eu também amo você, e como desejo antes de morrer, eu quero matar você de prazer.

ele fez pressão no quadril dela, fazendo-a sentir a excitação dele, um suspiro de satisfação saiu pelos lábios da moça, ele deitou o resto do corpo por cima do dela e deu um beijo entre muitos que viriam em seguida.

um beijo grudado no pescoço suado, ela o deu e ele não demorou muito para se levantar e vestir uma samba canção que estava jogada pelo chão, ela o observou e se levantou da cama em seguida pegando as roupas jogadas no chão e vestindo-se.

sentou na cadeira que estava no meio do quarto, enquanto o homem procurava por algo nas coisas dele. ele parou de repente de mexer na cômoda e virou olhou a mulher sentada na cadeira que o observava, sorriu e foi até ela.

- então, quer dizer que a senhorita me ama e eu não te amo? - riu.
- exato.
- ok, eu perco a droga do meu tempo com você várias e várias vezes, sempre te vejo, digo que aprecio muito da sua companhia, além do mais que você não acha que eu me arrisco demais estando com você, vai que um dia desses você decide que eu fiz algo que eu supostamente não fiz e me mata? maluca do jeito que você é, não duvido de nada , mas acho que se você não fosse também, não sei se te amaria tanto quanto eu amo agora.
- mas... mas... - ele pôs a mão na boca da garota;
- sem mais e nem menos, é isso, a gente deixa tudo exatamente como está agora, eu não tenho outras e nem tenho interesse em tê-las, agora, você pára de bobeira, ok? e venha vamos tomar café, namorada - deu um beijo rápido nos lábios dela, enquanto ela apenas o olhava atônita, sorriu e saiu do quarto.
a mulher acompanhou os movimentos dele, com os olhos e a cadeira, e ficou olhando para porta, sem nem saber o que pensar ou dizer sobre aquilo. era verdade aquilo que ela tinha escutado, não estava sonhando não? uns minutos se passaram ali, e de repente a porta se abriu devagar e só a cabeça do homem apareceu sorridente.

- acho que eu esqueci uma coisa aqui - ele foi até ela e a pegou no colo - já que você não quer vir por conta própria, vou ter que te levar no colo  - e pela primeira vez no dia, a moça sorriu para ele, o deixando ainda mais sorridente - então, vamos que eu to com fome.

- idiota! - e o beijou.