sábado, 11 de junho de 2011

Sol

Esta noite não, nesta noite eu não vou beber, não vou me anestesiar da dor que você empurra para mim, quero sentir cada fragmento de mim se rasgando, quero sentir o sangue em meu pulso e sentir o meu coração acelerado.

Chorarei como todas as outras vezes, mas só por hoje, eu irei beber apenas as minhas lágrimas e mergulharei na dor de ser quem eu sou, de amar quem eu amo.

Quero me dar o prazer de sofrer, o prazer de me iludir... só uma noite, a exceção de todas as outras, porque hoje eu sou apenas um sofredor, não serei o cafajeste de todas as noites.

Vou sentir o vento batendo em meu rosto, e vou sorrir de leve imaginando você, eu vou me tocar e gemer baixinho o seu nome.

Quero sentir todos os prazeres que eu posso me dar pensando em você.
A dor é quente como o sangue, e hoje vou me aconchegar nos braços dela, hoje eu serei só dela, me agarrarei à lembrança de seu sorriso e sorrirei.

Vamos... eu só quero sentir a faca penetrando em meu peito lentamente, sentir cada centimetro sendo perfurado e o sangue quente escorrendo pela pele e gemer, gritar de dor, implorando para que o sofrimento acabe logo, mas ao mesmo tempo pedindo por mais dor, por mais profundidade.

E quando eu estiver quase morto e sem sangue, o sol nascerá como faz em todas as manhãs, para me trazer de volta à vida que você me roubou, e eu voltarei a beber todas as noites para me anestesiar e sorrir... simplesmente voltar a rotina de fingir ser feliz.