sexta-feira, 22 de junho de 2012

It's a celebration.

" I think I'm ugly
And nobody wants to love me
 
Just like her I wanna be pretty

I wanna be pretty
Don't lie to my face cuz I know
I'm ugly "








É bizarro, é tudo muito bizarro.

A verdade é: eu sou uma idiota, burra, magrela e branquela que não passa de um rostinho bonito, mas que é um vazio por dentro. Por que eu não consigo demonstrar que eu estou simplesmente quebrada? A única coisa que eu consigo fazer é ser idiota e me sentir assim.

Parece que as pessoas só me vêem como... sexo, eu pensei que já tinha parado de vender essa imagem, mas parece que eu continuo com ela. Sabe quando você tenta de todas as formas ficar bonita, mas você se olha no espelho e vê algo completamente horroroso? Como as pessoas conseguem me achar bonita quando eu sou tão sem graça, sem atrativos e nem um pouco inteligente?

Eu tento ver filmes, ler livros só para ter algo para conversar, ser um pouco mais interessante, só para poder me sentir um pouco melhor, eu vou a academia, eu me cuido do melhor jeito possível, mas para quê, me explica, para quê? Eu só me sinto uma idiota maior ainda fazendo isso.Que merda, eu tenho um coração, eu tenho sentimentos! Não adianta eu dizer isso, não adianta eu demonstrar que eu sou uma idiota para as pessoas, por que aí sim que elas vem em mim só para dizer "E aí, gata, eu morro de tesão em você, vamos transar?" e no minuto seguinte estar postando foto com a namorada com a legenda "Ai, olha como somos um casal perfeito/ Eu e meu môzu", porra, quer foder, fode com a sua namorada ou então pega alguma outra menininha ou paga uma puta. Queria só ver se eu fosse uma filha da puta master e mostrasse as mensagens de seus namorados pras essas meninas, o que elas achariam, mas nem sou louca, o problema não é meu, e muito provavelmente se eu o fizesse, falariam que eu estou tentando separar casal, que eu sou uma puta que começou a seduzir o cara e blá blá blá, e tudo isso só por que e.

Abdiquei de muita coisa, deixei de lado várias coisas que me faziam mal, parei de beber que nem uma desgraçada, deixei de ir para cama com as pessoas, e quando o fiz me arrependi muito, não pela pessoa ou por ter sido bom/ruim, mas... parecia errado, eu não deveria, mas uma vez eu seria objeto. O erro está em mim, é a única explicação, eu sou um erro. Quem vai querer ser amigo de alguém como eu? Sempre fui destrutiva demais, parece que quanto mais a gente tenta mudar, mais as coisas se tornam difíceis. Eu estou indo pelo caminho certo? Às vezes parece melhor ter continuado naquele caminho, porque as pessoas não iriam gostar de mim de qualquer forma, iriam continuar me vendo como um objeto, eu iria ficar de mimimi, mas seria menos sofrimento.
Fazia tanto tempo que eu não pensava em suicídio, e veja, cá estou eu pensando nisso de novo, eu nunca vou conseguir crescer, eu nunca vou conseguir ser uma mulher, serei sempre a merda de uma garota mimadinha cheio de problemas de pré-adolescente. Eu realmente deveria me tacar de uma janela, mas nem para isso eu sirvo, porque é só pensamento mesmo.

Eu tenho os amigos mais lindos do mundo e às vezes eu olho para eles e acho que não sou o suficiente, que encho demais pedindo atenção, não só deles, mas de todo o resto.

Por que eu sou assim? Por que eu não posso ser normal que nem as outras pessoas? Eu tento ser legal, atenciosa, gentil, eu perdoei aqueles que já me machucaram um dia e ainda falo com eles, não com frequência e nem com muita confiança, mas ainda sim falo; tenho tentado dar chances as novas pessoas que tem entrado na minha vida e mesmo assim parece que eu to fazendo tudo errado, parece que eu to falando com as pessoas erradas, que não serão elas que vão ser as minhas amigas.

Não sei mais por onde ir, não sei mais onde pisar, só sei que eu tenho feito tudo isso por aqueles que ainda estão do meu lado, que eu sei que se eu cair vão me segurar, só que eu não tenho mais coragem de pedir ajuda, não depois de tantas e tantas que eles me deram.

Eu tenho sentido um vazio gigante, parece que um pedaço importante meu ficou em algum lugar no passado e eu não sei que pedaço foi esse, não sei onde eu deixei, parece que se foi e isso é desde que eu estava no Canadá ou logo depois que eu voltei, eu não sei, só sei que eu não me sinto completa ou preenchida, eu nem sequer consigo escrever direito ou pelo menos algo decente. Sumiu, sumiu dentro de mim e eu não consigo achar mais. É algo devastador, uma solidão imensa por essa perda, e eu nem sequer sei o que é isso.

Tudo que eu queria era parar de complicar as coisas, sentar numa mesa de bar, beber uma cerveja e ver as pessoas passarem, ou ir a praia e ver as ondas do mar quebrando na areia, relaxar completamente. Viajar ou simplesmente sumir do mundo, das pessoas, por um dia, esquecer dos meus problemas, de mim.

Infelizmente eu não consegui transformar isso numa história, contar de forma indireta, até porque aquele homem que conta histórias e que as escreve, sumiu, não sei onde ele está, se foi junto com esse pedaço de mim.

Um brinde à minha estupidez, eu sou egoísta demais.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Let it go



Aquela música tocava dentro da casa onde meu nome tinha sido chamado. Ah, aquela música que trazia boas lembranças, machucava o coração e fazia chorar. Eu não tinha nascido ali, meu sotaque não era igual de todas aquelas pessoas a minha volta, mas eu me sentia em casa.

Entrei naquela casa, aquele cheiro de comida vindo da cozinha, mas não era só isso, era o cheiro da casa e das lembranças vividas nela, das pessoas dali: confortante, meu cheiro estava misturado no meio de tudo aquilo, eu morava ali.

Móveis, paredes... passei lentamente entre eles, tocando e sentindo até chegar ao corredor estreito e escuro, sendo clareado apenas por luzes de outros cômodos, andei arrastando as mãos nas paredes frias e adentrei na cozinha sendo recebido pelo sorriso mais doce, mais brilhante de todos.

Ela veio em minha direção e me abraçou de forma quente, da forma que só ela sabia fazer, me abraçou da forma mais doce possível e todo aquele vazio e solidão se foram, aquele quente se apossou do meu peito novamente.
"Você está tão magro e pálido, precisa comer mais, não acha? Vou cuidar direitinho de você de novo.Lembra dessa música? Eu sei que você adora. " - riu. 

E eu apenas sorri de volta, as lágrimas quase escorrendo por toda aquela calorosa recepção, por todo aquele amor, por tudo aquilo estar acontecendo de novo.



Abriu os olhos e sentou-se assustado olhando em volta procurando a saber onde é que estava: estava em casa, no seu quarto e suspirou com um pesar, saiu da cama indo direto para o banheiro lavar o rosto e voltou para o quarto sentando-se na beirada da cama.

A tristeza invadiu o peito, ou será que já estava ali?

Encarou-se no espelho que tinha de frente a cama: pálido, magro demais e... vazio. Por que era tão sem graça? Tão sem atrativos, um alguém que se morresse não faria falta no mundo, quem iria se interessar por alguém tão quieto, chato e desinteressante?

O aperto no peito aumentou junto do nó na garganta, por que havia sonhado com aquilo, com ela? Se ela estivesse ali, tudo seria diferente, tudo teria sido diferente e talvez não fosse essa pessoa tão cinza que era, tão apagada.

Ah, aquela música! Nem gostava mais daquele estilo de música, os anos haviam se passado e ele era uma pessoa totalmente diferente; correu para o computador, assim que ligou, acessou algum site que desse para ouvir música e pôs o nome daquela música e assim que carregou, colocou o fone e escutou aquela música que fazia anos que não escutava.

Enquanto a música tocava, as lembranças vinham e colocavam um sorriso em seu rosto, hora ou outra cantava o que ainda sabia da letra.

Sentiu-se completo e aquecido por um momento, fora levado por lembranças repletas de inocência e alegrias. Há quanto tempo não sabia o que era ser preenchido? Havia se tornado algo completamente vazio, não conseguia sentir-se preenchido, alguma coisa faltava. O quê?

A música havia terminado e então deu replay, precisava daquilo de novo, havia se esquecido como era bom sentir-se preenchido.

Estrelas ainda brilhavam no céu, escura e sem lua, algumas poucas nuvens e um silêncio confortante, sem aqueles barulhos de quando o sol está brilhante no céu e foi em uma noite dessas que ele havia se deixado em algum lugar e não sabia mais onde achar, era repleto de vazio.

Saiu de frente do computador e foi para janela observar a cidade que ainda dormia. Por que era tudo tão complicado? Por que tinha que complicar tanto as coisas? Poderia ser mais engraçado, mais divertido, mais interessante e até mais bonito, mas por mais que se esforçasse nada parecia adiantar.

Queria ver, tocar e sentir aquela mulher de novo, queria que as suas lágrimas fossem limpas novamente, queria sentir sua presença mesmo dormindo, mas nada disso aconteceria, tudo já tinha sido desfeito com tempo,  o sorriso dela já tinha se esvaído.

Pediu as estrelas, à lua escondida e a qualquer outra coisa que viesse em sua cabeça, pedia com força para que aquele sorriso nunca se apagasse e como num piscar de olhos, sentiu aquele outro corpo enlaçar o seu por trás, ficou tenso por momentos até tomar a coragem de olhar para trás e encarar aquele sorriso fraco nos lábios dela, virou-se completamente para ela e a deixou leva-lo para onde quer que fosse.

O colocou na cama e os dois se encaravam sem trocar uma palavra, ele deitado e ela em pé ao lado da cama. Ela o mataria e levaria sua alma consigo? Antes que dormisse, antes que morresse, antes que aquele sonho lúcido acabasse, ela disse:

"Onde é que nós estamos agora?"