sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

All I Need

Preparei tudo, deixei exatamente no ponto que eu gostava,
era só mais outra dose daquela droga que poderia ser melhor que qualquer orgasmo que eu tivera na vida, sentia percorrer em minhas veias e já me sentia dopado, já sentia todos os efeitos daquela coisa que me levaria à morte se deixasse.

Suas palavras vinham em mente, e eu me estremecia com o toque delas em minha imaginação, aquele sentimento quente pulsava em meu peito e eu sorria igual um tolo apaixonado, quem via pensava que eu tinha sérios problemas mentais.

Eu tinha me apaixonado pela pessoa mais errada possível, era prazer masoquista de te amar.

Um amor intenso que saía faísca, que quando brigávamos era a nossa derrota, era escuridão e a terceira guerra mundial, um amor que quando terminava era morte para ambos, por mais errado que fosse te amar, por mais insensível que você fosse, eu sabia que tinha um espaço em coração, eu sabia.

Tínhamos achado amor um no outro quando não havia amor nenhum na gente, entre, era apenas um algo sem esperança alguma, sem futuro e não tínhamos idéia do quão intenso seria, do quão destruidor viria a ser e de quantos machucados e sorrisos arrancaríamos.

Dentre todas as drogas que consumíamos, a maior éramos nós mesmos, eu te consumia e vice-versa, o prazer de quando beijávamos o mundo girava em torno da gente e sumíamos nesse giro, as luzes piscavam, as pessoas riam, choravam e viviam e o beijo continuava e mais dopados ficávamos, mais risos e mais tontura.

O sexo era algo mágico, violento e enlouquecedor, era amor e entorpecente.

Meus gritos não foram suficiente para eu me livrar daquela dor no peito, os dois chorando e arrasados de frente para o outro jogados no chão, sujos e desejando um ao outro num momento que devíamos estar o mais distante possível. Eu via dor nos seus olhos.

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAh!
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAh!

Memórias. Gritos.

Eu estava naquele nosso apartamento, no nosso lugar, bêbado e drogado por lembranças nossas que faziam pensar que ainda estávamos juntos, que ainda me iludiam.

" Come on, Come on
Apenas olhei para ela e sorri"

Estava à procura de alguma coisa qualquer que te substituísse, qualquer coisa, estava completamente acabado naquela sala, por mais que a minha mão passeasse pelo meu corpo a procura de me saciar com a ajuda de lembranças e imaginação, eu precisava mais de você, do seu corpo ou de qualquer outra coisa quente.

Aquela dor daquele dia vinha ao peito, mas... eu tinha que deixá-la ir, eu deitei no chão as lágrimas saíram automaticamente, olhava para tudo como se estivesse à procura de algo que tivesse perdido e aquele algo era você.

Estava a beira do desespero, não queria deixa-la ir embora da minha mente ( nunca sairia do meu coração), mas eu tinha que deixar.

"Acordei no sofá sem saber o que estava realmente acontecendo, esfreguei os meus olhos e a vi parada sorrindo para mim enfrente a porta do apartamento.

Goodbye, my love"

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