quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

E

Entre portas e paredes,
sons suados, sono apagado,
Ele abre a janela para vê-la
passar,
Ela sai de casa para poder
se libertar
Entre os meus dedos,
você escapa,
E nos seus lábios,
meu beijo ficou marcado
E em minhas memórias,
seus olhos ficaram.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Fernando

Fernando e suas cores. Seu jeito cafajeste de ser guarda, no fundo, um rapaz sensível e até mesmo romântico. Por trás da malicia de homem, há apenas um pequeno garoto. Fernando, um rapaz de coração de ouro, por mais durão e insensível que se mostre. Vitima do machismo, quem sabe. Corpo másculo, sensual, pele morena, olhos negros, um sorriso que faz qualquer mulher ou homem se desmanchar, desperta o lado mais selvagem e sensual em qualquer pessoa, um pouco cínico, e é até ciumento, faz manha e fica tímido (sem que ninguém perceba) quando vê a pessoa que gosta passar. Faz pose de cafajeste, e é, mas gosta mesmo é de ficar na cama, abraçado a outra pessoa, carinhoso, sendo e sentindo-se amado. Ah, Fernando... Fernando não sabe disso, mas eu sei. Desperta em mim doçura. 

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Escreva

"Escreva" - alguém disse. Quase que uma semana depois, outro alguém disse o mesmo, só que com outras palavras. No mínimo, engraçado, engraçado por achar que não escrevo bem e que a minha escrita não faz falta. Comecei a escrever alguma coisa inventada, achei romântico demais, apesar de todo o meu romantismo, o odeio, mesmo que talvez alguns não pensem que sou. Hoje, não quero romantizar. Bem, sobre o que eu poderia escrever? Ah, poderia escrever o que eu sinto, mas acho que no momento ando um tanto trancada em mim para poder escrever sobre tal, então... por que não escrever sobre isso? Escrever sobre escrever. O primeiro acha que eu sou uma boa escritora, talvez por uma carta destinada a ele, onde havia um belo poema e algumas bonitas palavras, e o segundo, bem, não sei se ele me acha uma boa escritora ou porque é apenas alguém que me acompanha desde a adolescência, onde na época, conversávamos bastante. Fico feliz por isso. Pensei em escrever sobre ele, o segundo, mas escrever o que também? Não lembro muita coisa e, hoje em dia, o que sei dele? Nada. Andei pensando que realmente faz um tempo que não escrevo e de alguma forma estranha, senti vontade e saudades de fazê-lo. Bem, na verdade, isto é uma mentira deslavada, eu escrevi em algum outro lugar longe do computador. Talvez devesse escrever mais coisas por escrever, coisas que não são sobre mim, mas completamente eu. Escrever é algo pessoal, é algo que diz sobre a gente, mesmo que a gente não diga um 'eu' no texto. Escrever sempre foi uma forma de me expressar, acho que a única forma da qual eu realmente sei falar sobre as coisas que precisam serem ditas no dia-a-dia e nada falo, causando uma raiva de mim mesma por ser tão... calada, mesmo achando que essa palavra não seja a que eu quero. Queria sim saber escrever (e falar!) como algumas pessoas aos quais admiro bem de longe ou de perto, mas eu não sou elas, não posso escrever sobre o que elas escrevem, nem como elas escrevem, eu sou eu e elas são elas, nunca será igual, tenho que me conformar com a forma que escrevo e melhora-la, se caso seja esse o desejo. Mas, ah, talvez seja a Júpiter em Virgem que nunca acha que aquilo tá bom o suficiente, aquela tendência ao perfeccionismo que muitos virginianos por aí tem, mas isso também não vem ao caso. Não tenho muito o que dizer agora ou hoje, mas se o primeiro vai ler, não faço ideia, até porque não sei se ele entra aqui. O segundo, acredito que sim. Dedicado a eles. 

sábado, 5 de julho de 2014

Espelho, espelho eu

Pôs-se nua diante do espelho, indiferente àquele corpo que refletia a sua imagem, observou detalhes e nuances em seu corpo que apenas ela conhecia. Descia o olhar lentamente depois de examinar minuciosamente cada lugar, não queria perder um detalhe sequer. Finalmente, chegou a seu sexo. Observou bem, e se perguntou mentalmente: era seu sexo, a sua genitália que a fazia mulher? definitivamente, não, sua identidade como mulher não se encontrava ali, era apenas um detalhe, sua alma, seu gênero, sua essência, concentravam-se em seu estômago, ali era formado o seu ser, sempre que qualquer coisa que lhe acontecia, era o seu estômago o primeiro a sentir, seu estômago era como se avisasse se ela estava bem ou mal, psicologicamente; era ali que seus sentimentos ficavam guardados. Dizem os mais espirituais que todos temos chacras e o do estômago é o vital. Não era hora de pensar em espiritualidade, porém queria saber, encontrar a parte do seu corpo que a fazia ser quem era. A resposta poderia ser o estômago, mas ainda não a satisfazia, sentia que era muito maior que aquela carne e ossos e órgãos que a compunham, sentia que a sua alma ficava além do seu chacra vital do seu órgão digestivo. O que a fazia mulher? O que a fazia ser quem e como era? não encontrava sua identidade e gênero em parte alguma do corpo, era a alma. Poderia dizer que era mulher, pois assim se sentia, poderia dizer que era S., pois este era o seu nome, mas não era o seu nome que a definia ou a caracterizava, não era o seu nome que dizia quem S. era. Quem era? Seu corpo era seu? Ela pertencia a si mesma? Não sabia dizer, porém tinha a sua alma, era única certeza que tinha e que aquilo pertencia somente a si. Será que tudo o que vivia era apenas uma ilusão de si mesma? Não conseguia se identificar no espelho, não gostava do que via, por mais que aos olhos de outros parecia agradar a visão daquele corpo, daquele rosto, e o que fazia não gostar, não era a carne, mas a essência, o que, naturalmente, para ela, deixava a carne feia. Queria ver-se inteiramente no espelho, porém era só o corpo que via, queria ir adiante, muito além disso, ultrapassar a linha do corpo e da alma, queria en(con)trar em sua própria imensidão, no seu infinito particular, mas não sabia dizer onde encontrava tudo isso, ficava frustrada em ter que achar apenas o estômago para o seu ser. De tanto se observar e nada encontrar, chegou a conclusão que pudesse ser vazia, logo, a razão para toda a melancolia que sempre guardou dentro de si. Não podia Ser, caso fosse vazia. Nem sentir. Ela não era o seu corpo, seu corpo era oco, vazio, não podia achar-se nele, ela não era ninguém, então. A palavra 'vazia' repetia-se em sua mente. Abraçou ao próprio corpo tentando sentir a si mesma e se consolar por ser um nada. Os seios se juntaram, dando a impressão  de que eram mais volumosos, porém não, eles eram pequenos com os mamilos rosados, talvez gostasse dos seus seios, lhe pareciam sensuais, perfeitos para qualquer homem ou mulher num ato libidinoso. Acariciou-os, mediu-os com as mãos e isso fez-se perceber seu coração, outro lugar ao qual os sentimentos, a alma, a identidade estavam, era como se primeiro o estômago falasse e o coração em seguida respondia com um aperto dolorido e batidas mais fortes que faziam o sangue percorrer por todo o corpo, subir ao rosto e deixa-la mais enrubescida nas feições, isso poderia atingir ao pulmão, dependendo qual fosse a emoção, poderia deixa-la sem ar ou fazê-la ofegante. Aproximou o rosto do espelho, examinou mais uma vez, o que era dela, o que era dos pais dela? os olhos da mãe e a boca do pai, o formato do rosto era parecido com o da avó, seria o rosto dela, um rosto próprio? o que era apenas seu naquele rosto? Era seu o que a diferenciava de sua mãe, de seu pai ou avós, ela era a mistura de todos eles, portanto, era e não era seu, caso tenha filhos de seu próprio ventre, seus filhos terão as características de toda sua família, mais as do pai, logo, isso o diferenciará dela e do pai, então, seu filho será diferente de todos, assim como ela era diferente de sua família por mais semelhanças que houvessem. Características podem não ser próprias, mas numa mistura,  se tornam únicas. Afastou-se do espelho, voltando ao anterior, observando o inteiro, mas o que era o inteiro? já que não podia observar o seu verdadeiro ser. Para os outros, o seu corpo era o verdadeiro ser, para ela, não, mas também não sabia o que era o verdadeiro eu, pois não o achava em lugar algum. Estômago, coração, sangue, pulmão, formavam seu corpo, sentiam as suas sensações, mas isso poderia ser outro humano, outro humano também podia sentir as mesmas coisas que sentia, talvez de maneira própria, seu corpo não era a resposta para suas perguntas: quem e o que era, o que fazia ela ser ela, por que sentia-se ou era mulher. Pensou que deveria se amar, talvez fosse esse o problema: falta de amor ao próprio corpo, ao próprio ser, à própria alma. Egocentrismo tinha algo haver com amor próprio? Não sabia, mas aquilo a fez sorrir e até admirar um pouco do que via.  Escutou um barulho do lado de fora do quarto, o que tirou a sua atenção do corpo e do espelho, eram os seus pais chegando de algum lugar qualquer. Respirou fundo. Olhou a janela e foi até ela, contemplou a paisagem, viu o céu escuro com os seus diamantes brilhantes e pensou que se fosse o céu, seria inteira e infinita. Seu nome fora chamado no lado de fora. Suspirou. Pôs o roupão e foi ver o que queriam.   

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Meraki

A jovem abriu os olhos e a primeira coisa que encontrou foram os dele, que pareciam tão sonolentos quanto os dela deviam estar. A janela ao fundo fazendo que a luz entrasse, os olhos marrons e sonolentos e o esboço de um sorriso de bom dia formou um cenário perfeito à vista daquela mulher, poderia tirar uma foto e observá-la todos os dias por tamanha sutileza, delicadeza e doçura que era o conjunto. Nunca pensou que azul, verde e marrom + luz pudesse ser tão harmonioso como aquilo. Aconchegou-se nos braços dele e o coração se aqueceu ainda mais. Jamais haveria uma manhã tão doce quanto àquela, mas não podia negar que por trás de toda sutileza do momento, havia a excitação e o desejo ardente de possuí-lo, a cena (ou o homem) era extramente sensual. O homem dos olhos marcantes, pensou, esse era o nome da obra de arte que tinha ao seu lado. Talvez estivesse com um sorriso sonolento, podia sentir a felicidade dentro de si queimando, por mais que quisesse negar. Ganhou um cheiro no pescoço e como ela gostava desses cheiros e beijos, melhor que isso era quando a mão dele passeava pelo o seu corpo, mãos que a seguravam com firmeza, serpenteavam por ela com força, com desejo. Como ela amava as mãos dele no corpo dela! Ele tentou levantar, ela o trouxe de volta, não deixaria sair dali sem um beijo sequer. Aconchegaram-se um nos braços do outro, entre carinhos e abraços, saiu um beijo e do beijo, ah, o beijo que era sempre uma explosão: quando começava, terminava em sexo, era fato e, como todo fato, aconteceu. Explosivo. Agressivo. Excitante. Violento. Era Marte, era Áries em guerra, só não era guerra o que faziam. Ofegante. Veio, então, a erupção do momento e o ponto final daquela manhã. Descansavam, porém, não foi por muito tempo, ele sentou-se no colchão, sorriu para ela e disse baixo:

- Vou tomar banho, tudo bem? 

Ela só sorriu de volta e fez um 'sim' com a cabeça, sendo assim, o homem levantou-se, pegou as roupas no chão e saiu do quarto. A mulher fechou os olhos, levou a mão nos cabelos e suspirou pesado.  Oh, por deuses, por que tinha que se sentir daquela maneira? Sua vontade era de fazer seu coração um cofre, colocá-lo lá dentro e guarda-lo apenas para si. Melhor, queria ser o coração dele, assim, não sofreria com o desejo, nem com o que sentia, seria parte dele, os sentimentos dele... Engoliu seco, interrompeu seus pensamentos, não podia, nem queria pensar daquela forma. Era amor? Preferia pensar que não, é difícil amar quando não se pode amar, quando nunca soube o que é o amor, quando escolhe caminhos que a vida te impede disso. Racionalize as emoções, era esse o seu lema. Depois da felicidade, a dor que ardia por dentro era bem maior, mas não se deixava levar por isso. Queria que um buraco negro a sugasse, toda aquela confusão a deixava maluca. A porta bateu. No segundo seguinte, ele entrou com a calça social preta e a blusa social branca completamente aberta, os cabelos molhados e a toalha no pescoço: deslumbrante, irresistível. Poderia devorá-lo ali mesmo, em pé, mas sabia que a hora da partida se aproximava, ficou apenas encarando-o deitada e ele, que não tirava aquele sorriso doce dos lábios, se aproximou e sentou na cama e tirou do bolso a carteira, e da carteira, o dinheiro. Contou e entregou nas mãos dela. 

- Vê se está certo - contou o dinheiro uma, duas vezes, ponderou, e tirou a metade do que tinha ali e devolveu - Metade?

- Uma fica por conta da casa - sorriu e pôs o dinheiro na mesinha ao lado da cama. 

O homem levantou-se, deixou a toalha pendurada num cabideiro, fechou a blusa, ajeitou a calça, foi até a porta e preparou-se para sair do quarto, olhou para a mulher deitada e disse: 

- Te ligo essa semana, sim?

Ela acenou com a cabeça, ele sorriu e saiu porta a fora, não demorou mais que três minutos e ela escutou o som da porta de entrada do apartamento. Respirou pesarosa e aliviada. Levantou-se e foi até a janela pelada, olhou o céu: azul vivo, azul claro, azul bonito, poucas nuvens, mas o vento que batia era frio, assim como seu coração parecia estar, como ela gostaria que estivesse. 

"Mr. Oiseau saiu do meu ninho e voou direto para onde seu coração se encontra. O coração de Mr. Oiseau não se encontra aqui"   

Voltou-se para o quarto, olhou o cômodo e pensou no que faria agora, já que estava com o dia livre, olhou para o dinheiro ao lado da cama e mordeu o lábio de leve pensando o que faria com aquilo, não podia ficar com o dinheiro, definitivamente, não. Vestiu-se, pegou a bolsa e o dinheiro, saiu do apartamento e procurou por qualquer coisa onde pudesse deixar o que não te pertencia, ou até pertencia, porém não deveria. Rodou por aí, despreocupadamente, não precisava de relógio, não tinha pressa e era um dia bonito para estar fora de casa. Parou, comeu alguma coisa, tomou um sorvete e voltou a andar, passou por uma praça, viu um homem deitado, dormindo no banco e resolveu aproximar-se. Olhou, examinou e achou o lugar perfeito para deixar o dinheiro. Abriu suavemente o casaco que o homem usava e deixou o dinheiro lá dentro. Estava satisfeita, sorriu para o homem que acordava e foi embora. Fez o certo, estava satisfeita e já podia voltar para casa. O caminho de volta foi tão lento quanto o de ida, estava anoitecendo. Passou num mercadinho. Estava muito feliz.  

"Hoje à noite terá Yakissoba para o jantar." 

sexta-feira, 6 de junho de 2014

o gato e o pássaro

pássaro tu
eu gato

toda vez que você se vai, meu coração se parte,
não tenho asas, como tu, e o que me sobra
é ficar na janela a te observar a voar
e a desejar a ser um pássaro, para um dia,
quem sabe, poder voar junto de tu.
será que tu, pássaro,
deixaria gato, eu, voar ao teu lado?
fico à espreita de tua felicidade,
a felicidade de que não sou parte,
só um observador, desejando
um pouquinho, ser um dia o motivo
do teu (sor)riso.
pássaro, tu, não se vá, não se vá
venha aqui me cortejar, fique aqui ao meu lado
ou deixe que eu vá aí ao teu.
não faça mais uma vez o meu coração chorar
com a partida que fará um dia
você nunca mais voltar.
enquanto isso, estou apenas a te contemplar.

domingo, 25 de maio de 2014

je ne suis pas seul

solidão é quando se olha no espelho e vê um vazio.
meu coração anda por aí sendo feliz
e aquecido por outros
deixando-me aqui
nessa triste noite fria.
solidão é não ser dono do próprio corpo
é estar só consigo mesmo em pensamentos
prostituta da sociedade
vendem o meu corpo, exploram-me
sem que eu sequer queira ou permita.
solidão pode ser ou pode estar, pode ter.
solidão é não pertencer a si mesmo
mas a outro
solidão é ter amigos
mas não ser o seu próprio amigo
a solidão é a companhia dos
sozinhos.