sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Sufoco

É nesse mar que quero mergulhar,
fundo e profundo azul
congelar e ser esquecido.

Levarei a minha dor
para o fundo do oceano,
meus vícios se irão com
as ondas e
eu ficarei nu e sem fuga.

Nem o que me aquece
está mais aqui.

Parei de sentir, de
saber o que é se machucar,
esqueci completamente
o que era o amor.

Ah, Por quê?
Por que eu fui descobrir
o que era sentir novamente?
Tão sufocante, tão profundo
que sangro.

No desespero de não sentir nada,
eu senti a dor sufocante, passei
a lembrar o que era sofrer.

Jogarei-me do alto do penhasco,
deixarei o vento me carregar
para bem longe daqui.

Quero não sentir novamente,
quero esquecer que a dor
existe.

Vou jogar com a vida,
brincar com a morte.

Não sei para que direção
correr,
mas sei que o tempo
pode curar, a distância
fazer esquecer.

Sentir e não sentir
é igualmente
sufocante e
desesperador, totalmente
doloroso.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Estupidez

você à noite reza baixinho para que ninguém escute, mesmo que todos estejam dormindo, reza, implora para que toda tempestade passe logo e que a dor passe também. na calmaria da noite, você descobre que nem apoio tem mais, sente-se quebrado e tudo o que mais quer é dormir para se livrar da dor insana, mas lembra que virá o dia seguinte, então toma remédios para poder dormir mais, demorar o máximo de tempo dormindo, pois acordar é triste, doloroso, o peito se rasga de dor, e mesmo mergulhando nos vícios, fazendo as coisas erradas para estancar o sangue que não pára de escorrer, a ferida que não se fecha, você nunca quer acordar.
suavemente você diz "tudo vai passar, é só ter paciência", é nisso que tem que acreditar para suportar, é isso o que te faz querer seguir em frente, pois acredita que o amanhã será melhor, e quando te chamam de tolo ou bobo e idiota, é que não sabem o quanto você se sente solitário, a sua vontade é de gritar "hey, estou aqui e quero ser seu amigo", mas ninguém quer isso de você, ninguém vê seu coração e por isso você vai se degradando cada vez mais e mais.
então, tudo parece não ter saída, você segue em passos tortuosos, não é mais uma pessoa sóbria, você respira fundo e diz "tudo isso vai passar " e repete isso como um mantra e decide que quer melhorar, e assim se mantem erguido.
de dia, o céu é azul demais para os seus olhos escuros, o sorriso pequeno em seus lábios e a dor amarga em seus olhos, você sai mesmo assim, e na paisagem clara, acha que toda sua dor é besteira, é a vida, afinal, e só diz isso porque a claridade do sol incomoda e quer se passar por forte, só para não sofrer mais com a covardia que é.
uma dose a mais para sentir-se bem, um cigarro só para poder soltar a dor no peito pelos lábios, só mais outra pessoa para enganar a si mesmo, fingir que não é solitário, mas você acorda sozinho na cama, e se quebra mais uma vez, a dor se transforma em lágrimas e você evita a todo momento chorar, porque da última vez que chorou prometeu que não iria chorar mais, mas chora de novo, é incontrolável.
"calma, isso vai passar, a dor é uma besteira", pensa.
tudo o que mais quer é fingir que está tudo bem, e consegue... para os outros, mas ao mesmo tempo quer implorar ajuda, mas lembra que ninguém pode te ajudar, a não ser a si mesmo.
"vamos, mais uma dose", pede para o garçom.
na noite tranquila onde todos dormem, você caminha em passos lentos, transparecendo calmo, mas o coração se acelera, é só seguir em frente, continuar caminhando que no final de tudo estará a sua calma, afinal, você já se assumiu um covarde de vez, não precisa parecer forte para mais ninguém, a culpa de todo fracasso é sua, até mesmo quando tenta acertar, erra.
no final de todo o percurso, você sorri e respira fundo, o coração se acalma, uma música suave vem na mente, é uma das suas favoritas, o sorriso se alarga mais e você pergunta a todos, mesmo que esteja sozinho "se eu cair, vocês me pegam?", a resposta não viria, você ri e responde "não. então, nessa noite eu vou voar sozinho" e se joga no sono eterno e sem sonhos.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Ponto.

às vezes dói tanto que eu tenho vontade de sumir, as lágrimas caem de forma descontrolada e eu desmorono lentamente, sangro o suficiente para ser morto, mas não morro.
meu coração é um só e não quero mais ele, não quero mais você. não posso lutar contra algo tão forte assim, quem sou eu, afinal? apenas um estranho conhecido para você.
não suporto suas mentiras, mas preciso delas para poder dizer que tudo está bem, para me sentir confortável quando na verdade eu quero morrer.
venha ao meu encontro, estou sempre a sua espera, não quero morrer de desgosto e ansiedade apenas para ver o seu rosto e me deliciar com o som da sua risada, quero sentir o meu coração acelarar com o seu toque e quero me afundar mais na dor, ir de frente com a morte, mas por instantes quero apenas pensar que você é só meu e esquecer de toda a dor que carrego, esquecer de toda a verdade que eu sei sobre você.
quero não pensar ao seu lado, apenas, mesmo que no dia seguinte a dor caia toda sobre mim, mesmo que o mundo me incrimine por isso.
vamos, meu bem, não é tão difícil dizer a verdade, é tão fácil quanto mentir, então me mande embora, diga que eu não sou seu, fale e grite que ama e tem a outro, me fira até atravessar o outro lado, ande, me mate logo, me faça cair e tombar para eu não conseguir me erguer mais.
oh, meu anjo, não, não e não! não faça isso; sou apenas um coração partido e confuso, não faça isso, deixe-me aqui iludir na falsa esperança que um dia você será meu, te amo demais para querer te deixar, mas sofro demais para querer te amar, não sei o faço, meu amor, não sei o que quero ou para onde corro.
deixe-me apenas ficar enquanto há tempo, meu bem, nosso tempo é curto juntos, anda logo, venha esta noite me ver, estou de partida e não sei te dizer adeus, quero estar com você até o último segundo que o tempo me permitir, quero gasta-lo inteiramente contigo, então venha, meu amor, nosso tempo é curto demais, deite-se comigo até lá e me mate enquanto isso.