“Onde é que você está?” Aquela era a pergunta que mais vinha a sua mente, senão a única.
Havia passado um mês depois da tragédia, mesmo assim ele não conseguia se animar, sorrir e nem chorar conseguia mais, talvez de tanto ter chorado, talvez por que agora estivesse agindo de uma forma programada e metódica, como se fosse um robô e sem nem mesmo uma expressão diferente em seu rosto, se não a de tristeza em seus olhos.
“Para onde você foi?” Outra pergunta, a mesma dúvida, não diminuindo a intensidade da dor.
Talvez não queria se conformar com a morte da pessoa que tanto amava, não queria aceitar.
Um marco forte para a loucura.
Sentado em sua cadeira do escritório em que trabalhava, olhando para um ponto qualquer, sendo possuído por mil pensamentos e tantos sentimentos.
Entre tantos sentimentos o desespero bateu à porta, a saudade sucumbiu à cabeça. O desespero de nunca mais vê-lo, a saudade de não vê-lo há um mês.
“Onde é que você está?”
“Para onde você foi?”
“Cadê você?” E sem pensar duas vezes, correu até o 5° andar, abriu a porta da sala onde ele trabalhava e encontrou o cômodo vazio, olhou bem para o local que se encontrava vazio para ver se havia esperanças de encontrá-lo ali, escondido, querendo lhe dar um susto.
Com desgosto, virou e correu para outro lugar. Algumas pessoas do local não entendiam o porquê dele ter corrido até ali, outras o entendiam completamente e sabiam o porquê.
Saiu do prédio onde trabalhava e correu entre a multidão, indo em direção ao apartamento que moravam, ou melhor, que agora ele morava sozinho.
Subiu os 3 andares com desespero, abriu a porta do apartamento o mais rápido que pode e seguiu em direção ao quarto, procurou pelo cômodo e, como esperado, não o encontrou. E foi sendo assim, consecutivamente, com outros cômodos.
Desiludido e decepcionado, caiu de joelhos e logo sentou no chão da sala. Não sabia mais onde procurar por ele. Escondeu o rosto nas palmas das mãos, estava sofrendo, queria apenas que tudo fosse um sonho e quando acordasse que ele estivesse sorrindo de forma tão linda, como sempre fizera.
As lágrimas, de forma tímida, começaram a se formar em seus olhos e não demorou que elas começassem a dançar pelo seu rosto.
O homem sentado na sala de seu apartamento, de forma lenta, foi deixando de esconder o rosto, olhou para o teto da sala e gritou de forma dolorosa, como se aquilo pudesse levar para longe toda a sua dor.
“Eu quero você”
E quando terminou seu tão necessitado grito, percebera que a dor continuava ali, da mesma forma e com a mesma intensidade. E nem com aquilo, o outro havia voltado para ti.
Tomado pelos sentimentos da fúria, raiva, tristeza, decepção, loucura, desespero e depressão, começou a derrubar tudo que havia em cima dos móveis da sala, não importava o que fosse.
Era tamanha a loucura, tanto que não havia percebido que seu apartamento estava todo destruído, suas mãos e pés estavam sangrando por pisar em vidros, quebrar copos como se estivesse amassando papéis.
Também não havia escutado as batidas na porta, ou nem mesmo percebido que a polícia estava em seu apartamento e que era arrastado por uns três policias para fora do apartamento.
Inconsciente de que fizera, lucidez era algo não presente naquele momento.
E enquanto era arrastado por policiais, havia uma foto jogada no chão no meio de todo destroço. Uma foto composta por ele e pelo outro, onde os dois sorriam de forma alegre e bonita junto da luz do sol ao fundo da imagem e o vento bagunçando os seus cabelos.