Uma noite de verão estrelada, o vasto campo com árvores em volta, o ar era fresco e o corpo estirado no mato, observando as estrelas e cantarolando uma música com uma garrafa de whisky e outras bebidas.
O carro não estava distante dali, só alguns passos que lá estava ele todo vermelho e lindo, mas isso não importava naquele momento, talvez só preocupasse na hora de ir embora quando o homem bêbado fosse embora, mas não era hora de pensar nisso.
Com o sorriso infantil, ele desenhava um rosto nas estrelas, um rosto que partira para longe de si sem nem ao menos dizer adeus, sem nem dizer o porque de ir embora. O que ele tinha feito, afinal? Gostaria de saber, aquilo doía demais ser deixado para trás.
As lembranças vinham a mente sem que permitisse, e o coração pulsava com mais agitação, balançou a cabeça tentando mandar as lembranças para longe e deu mais um gole na bebida amarga e forte.
Respirou fundo, fechando os olhos com uma expressão de dor e raiva, e ficou por um curto período de tempo assim, quando abriu os olhos e viu as estrelas, voltou com o sorriso.
Umas de suas mãos que repousavam na grama, agora estava em seu peito tateando o cordão em seu pescoço. Riu em desgosto, pois não queria lembrar, mas procurava por lembranças, e aquele cordão... fora dado a ele no último dia em que estiveram juntos.
Sentou na grama, tirou o cordão e deu mais um gole no líqüido, deixou a bebida ao seu lado na grama e encarou o pingente daquele cordão.
"Onde é que você está indo?"
As lágrimas escorreram pelo seu rosto, a dor era maior que podia suportar e tudo que queria era apenas resposta para uma pergunta: Por quê?
Por suas lembranças, ela estava sempre sorrindo, e quando não estava bem, apenas perguntava o porque de estar triste, se não queria dizer, não insistia, só dizia que estaria ali quando a outra quisesse contar.
Naquele dia, naquele último dia... o homem sentiu que ela estava diferente, mas não quis perguntar o que havia acontecido, esperava que a mesma fosse contar o que não aconteceu, e agora, se arrependia tanto de não ter perguntado.
"Onde é que você está se escondendo?"
Apertou o colar na mão e levou aos lábios, beijando o objeto e voltou a coloca-lo em volta do pescoço.
O gole na bebida tinha sido o maior de todos agora, queria ficar bêbado logo, esquecer do que sentia e fingir que tudo ainda estava bem e que ela estava ali junto dele e poder sorrir verdadeiramente por algumas horas.
Voltou a deitar na grama e a olhar o céu estrelado, talvez uma estrela cadente passasse e ele pudesse fazer um pedido. Gargalhou sozinho do próprio pensamento que tivera, como era infantil aquilo, mas ainda sim uma esperança de que tudo voltaria ao normal, de que ela voltaria, ou pelo menos ligaria dando uma resposta.
Procurou pelos bolsos do casaco o cigarro junto do isqueiro ficando frustrado em não achar, apalpou os bolsos da calça e nada, então, lembrou que havia deixado no carro e num só salto ficou de pé, só então percebeu o quão tonto estava por causa da bebida e riu à toa achando graça do que não tinha.
Foi até ao carro atrás do cigarro, enquanto procurava escutou seu celular tocar que também estava ali, sem nem ver quem era atendeu num simples e costumeiro "alô?", e mais outro alô perguntou, e nada de uma resposta do outro lado da linha, decidiu perguntar "quem é?"
e continuou mudo, respirou fundo, e disse "desculpa, mas ou eu não tô te escutando ou o gato comeu a sua língua" e desligou o celular e voltou à procura do cigarro até encontra-lo.
Encostado no carro, com o cigarro entre os dedos e soltando a fumaça dos lábios, se deu conta da ligação, entrou no carro de novo e o vasculhou atrás do celular, assim que achou e olhou o número, teve a enorme decepção em saber que o número estava oculto, jogou o celular para o banco de trás e foi atrás de mais bebida.
Bebeu até a garrafa quase acabar, já embriagado, se jogou na grama sentado e acendeu mais outro cigarro, o sorriso era de decepção, e mais uma tragada deu no cigarro.Terminou com a bebida amarga e foi atrás de outra.
Já era madrugada quando o homem já estava jogado na grama e não conseguia nem levantar de tão bêbado que estava, ria alto, falava com pessoas não presentes e quando olhava para estrelas, sorria.
Sentiu o colar em seu pescoço, e então o tateou mais uma vez e ficou segurando, e mesmo possuído pela bebida em algum lugar dele alguma coisa ainda se mantinha sóbria.
"Seja a mesma, por favor"
Riu suave e a lágrimas caíram, por que é que ele foi pensar naquilo se estava tão bem antes? Porque nem assim conseguia não pensar.
Quis beber mais, mas não tinha nada cheio em seu alcance o que o fez resmungar algumas palavras não entendíveis aos ouvidos de quem estava sóbrio e mais alguns xingamentos, seria difícil sair dali na situação em que estava.
Desistiu de tentar se mover para procurar outra bebida, se virou de frente para o céu de novo e esticou os braços e abriu as pernas, ficou todo largado na grama e riu, estava feliz demais.
Respirou pesado e fechou os olhos tentando ficar sóbrio, mas falhou como esperado e gargalhou, olhou para o céu negro e estrelado, arqueou a duas sobrancelhas e fez um bico, ele queria mais bebida.
Virou a cabeça para o lado e a viu se aproximar, não sabia se era apenas um sonho, uma ilusão causada pela bebida ou a realidade, estava bêbado demais para isso.
O sorriso calmo dela fez o coração do homem bêbado se agitar, não queria que aquilo fosse um sonho, e se fosse, não queria acordar.
"O que você quer?"
" Quero que fique, gostaria que ficasse"
Ela se aproximou do homem jogado na grama, cheio de garrafas vazias e guimbas de cigarros, se ajoelhou do lado dele e falou baixinho:
"Sim, sim, sim"
x
x
O homem não tinha idéia de que horas eram, só sabia que o sol o incomodava e queria ir embora dali de uma vez, acordou e sentou na grama com uma dor de cabeça filha da puta. Ele coçou os cabelos embolados e esfregou os olhos.
Olhou em volta e viu todas as garrafas jogadas, se espreguiçou e levantou já começando a catar todas as garrafas que estavam ali.
Assim que terminou de pegar todas as coisas que estavam no chão e joga-las no banco de carona e no banco de trás, sentou no lugar do motorista e ficou pensando no acontecimentos que lembrava da noite anterior.
Fechou os olhos e não sabia responder se foi apenas um sonho ou uma ilusão, mas era irreal demais para ser verdade, pelo menos assim que ele via e lembrava.
Balançou a cabeça de leve espantando esses pensamentos para longe e ligou o carro, indo em direção a sua casa onde dormiria mais em um sono onde não lembraria de sonhos.
quando você se for
ResponderExcluirmesmo sabendo que voltará
não será por mim...
ficar bebado é dificil
para pessoas como eu
e tua lembrança
será ferida aberta a doer
em que lugares desertos
beberei as saudades de ti?
saudades do tempo que te ver
era tão natural
tuas formas e curvas
dançando à luz da manhã
muito mais inebriante
do que qualquer destilado
sonharei em tua ausencia
para chorar no teu retorno
tão distante
tão estranhamente inalcançável
Enquanto teu rosto esvanescer
o que estarei fazendo?
olhando o nascer do sol,
Enquanto aviões decolam por sobre os veleiros?
ou quem sabe nos braços de outras,
me controlando para não chama-las com teu nome,
como tantas vezes me controlei?
Só sei que em meus sonhos
te faço feliz
quando na vida real
temo que se afaste antes mesmo de me abraçar
e ainda que os sonhos continuem
tua presença no meu mundo se esvai
não quero sonhar
quanta bebida me é nescessária
à nunca mais lembrar do teu rosto?
De certo mais do que me é possível sorver
em uma vida apenas
e que bebida seria capaz de me ludibriar
a sentir teus braços sobre meu peito
amorosos ainda que irreais?
e o que te dar, se minha vida não lhe apetece,
que não, liberdade?
amo-te estranhamente
amo-te como não há mais amor nessa terra
e por tanto amar-te,
te daria tudo
Inclusive o amor de outro, se me fosse possível
desde que teu soriso se fizesse satisfeito
e teu peito dormisse em paz
mesmo que não no teu lugar de direito
recostada no meu