terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Estupidez

você à noite reza baixinho para que ninguém escute, mesmo que todos estejam dormindo, reza, implora para que toda tempestade passe logo e que a dor passe também. na calmaria da noite, você descobre que nem apoio tem mais, sente-se quebrado e tudo o que mais quer é dormir para se livrar da dor insana, mas lembra que virá o dia seguinte, então toma remédios para poder dormir mais, demorar o máximo de tempo dormindo, pois acordar é triste, doloroso, o peito se rasga de dor, e mesmo mergulhando nos vícios, fazendo as coisas erradas para estancar o sangue que não pára de escorrer, a ferida que não se fecha, você nunca quer acordar.
suavemente você diz "tudo vai passar, é só ter paciência", é nisso que tem que acreditar para suportar, é isso o que te faz querer seguir em frente, pois acredita que o amanhã será melhor, e quando te chamam de tolo ou bobo e idiota, é que não sabem o quanto você se sente solitário, a sua vontade é de gritar "hey, estou aqui e quero ser seu amigo", mas ninguém quer isso de você, ninguém vê seu coração e por isso você vai se degradando cada vez mais e mais.
então, tudo parece não ter saída, você segue em passos tortuosos, não é mais uma pessoa sóbria, você respira fundo e diz "tudo isso vai passar " e repete isso como um mantra e decide que quer melhorar, e assim se mantem erguido.
de dia, o céu é azul demais para os seus olhos escuros, o sorriso pequeno em seus lábios e a dor amarga em seus olhos, você sai mesmo assim, e na paisagem clara, acha que toda sua dor é besteira, é a vida, afinal, e só diz isso porque a claridade do sol incomoda e quer se passar por forte, só para não sofrer mais com a covardia que é.
uma dose a mais para sentir-se bem, um cigarro só para poder soltar a dor no peito pelos lábios, só mais outra pessoa para enganar a si mesmo, fingir que não é solitário, mas você acorda sozinho na cama, e se quebra mais uma vez, a dor se transforma em lágrimas e você evita a todo momento chorar, porque da última vez que chorou prometeu que não iria chorar mais, mas chora de novo, é incontrolável.
"calma, isso vai passar, a dor é uma besteira", pensa.
tudo o que mais quer é fingir que está tudo bem, e consegue... para os outros, mas ao mesmo tempo quer implorar ajuda, mas lembra que ninguém pode te ajudar, a não ser a si mesmo.
"vamos, mais uma dose", pede para o garçom.
na noite tranquila onde todos dormem, você caminha em passos lentos, transparecendo calmo, mas o coração se acelera, é só seguir em frente, continuar caminhando que no final de tudo estará a sua calma, afinal, você já se assumiu um covarde de vez, não precisa parecer forte para mais ninguém, a culpa de todo fracasso é sua, até mesmo quando tenta acertar, erra.
no final de todo o percurso, você sorri e respira fundo, o coração se acalma, uma música suave vem na mente, é uma das suas favoritas, o sorriso se alarga mais e você pergunta a todos, mesmo que esteja sozinho "se eu cair, vocês me pegam?", a resposta não viria, você ri e responde "não. então, nessa noite eu vou voar sozinho" e se joga no sono eterno e sem sonhos.

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