domingo, 25 de abril de 2010

The Ghost of You.

“Onde é que você está?”

Aquela era a pergunta que mais vinha a sua mente, senão a única.

Havia passado um mês depois da tragédia, mesmo assim ele não conseguia se animar, sorrir e nem chorar conseguia mais, talvez de tanto ter chorado, talvez por que agora estivesse agindo de uma forma programada e metódica, como se fosse um robô e sem nem mesmo uma expressão diferente em seu rosto, se não a de tristeza em seus olhos.

“Para onde você foi?”

Outra pergunta, a mesma dúvida, não diminuindo a intensidade da dor.

Talvez não queria se conformar com a morte da pessoa que tanto amava, não queria aceitar.

Um marco forte para a loucura.

Sentado em sua cadeira do escritório em que trabalhava, olhando para um ponto qualquer, sendo possuído por mil pensamentos e tantos sentimentos.

Entre tantos sentimentos o desespero bateu à porta, a saudade sucumbiu à cabeça. O desespero de nunca mais vê-lo, a saudade de não vê-lo há um mês.

“Onde é que você está?”
“Para onde você foi?”
“Cadê você?”


E sem pensar duas vezes, correu até o 5° andar, abriu a porta da sala onde ele trabalhava e encontrou o cômodo vazio, olhou bem para o local que se encontrava vazio para ver se havia esperanças de encontrá-lo ali, escondido, querendo lhe dar um susto.

Com desgosto, virou e correu para outro lugar. Algumas pessoas do local não entendiam o porquê dele ter corrido até ali, outras o entendiam completamente e sabiam o porquê.

Saiu do prédio onde trabalhava e correu entre a multidão, indo em direção ao apartamento que moravam, ou melhor, que agora ele morava sozinho.

Subiu os 3 andares com desespero, abriu a porta do apartamento o mais rápido que pode e seguiu em direção ao quarto, procurou pelo cômodo e, como esperado, não o encontrou. E foi sendo assim, consecutivamente, com outros cômodos.

Desiludido e decepcionado, caiu de joelhos e logo sentou no chão da sala. Não sabia mais onde procurar por ele. Escondeu o rosto nas palmas das mãos, estava sofrendo, queria apenas que tudo fosse um sonho e quando acordasse que ele estivesse sorrindo de forma tão linda, como sempre fizera.

As lágrimas, de forma tímida, começaram a se formar em seus olhos e não demorou que elas começassem a dançar pelo seu rosto.

O homem sentado na sala de seu apartamento, de forma lenta, foi deixando de esconder o rosto, olhou para o teto da sala e gritou de forma dolorosa, como se aquilo pudesse levar para longe toda a sua dor.

“Eu quero você”

E quando terminou seu tão necessitado grito, percebera que a dor continuava ali, da mesma forma e com a mesma intensidade. E nem com aquilo, o outro havia voltado para ti.

Tomado pelos sentimentos da fúria, raiva, tristeza, decepção, loucura, desespero e depressão, começou a derrubar tudo que havia em cima dos móveis da sala, não importava o que fosse.

Era tamanha a loucura, tanto que não havia percebido que seu apartamento estava todo destruído, suas mãos e pés estavam sangrando por pisar em vidros, quebrar copos como se estivesse amassando papéis.

Também não havia escutado as batidas na porta, ou nem mesmo percebido que a polícia estava em seu apartamento e que era arrastado por uns três policias para fora do apartamento.

Inconsciente de que fizera, lucidez era algo não presente naquele momento.

E enquanto era arrastado por policiais, havia uma foto jogada no chão no meio de todo destroço. Uma foto composta por ele e pelo outro, onde os dois sorriam de forma alegre e bonita junto da luz do sol ao fundo da imagem e o vento bagunçando os seus cabelos.

2 comentários:

  1. Cara, serião. Medo... Muito medo.
    Foi vc mesma que escreveu isso ou se baseou em algo? Bom, sei que isso reflete algo que vem de vc, e tb sei q não adianta muito, mas melhoras ai.
    Vc sabe que eu te amo.
    Bjão

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