Chovia finamente, mas sem parar,
ele fumava calmamente de baixo de um toldo qualquer e observava a rua vazia e
molhada. Particularmente, gostava mais daquele tempo, parecia sujo, parecia
triste e até mesmo vazio, lembrava ele, pelo menos era o que achava de si
mesmo.
Aos poucos a chuva apertava, gostava daquele tempo ocioso que tinha, havia tempos que não tinha algo assim tão simples, foi entre pensamentos vagos que ele notou aquele casal que corria na chuva, não fugindo dela, mas celebrando o amor entre eles: dançavam, pulavam, davam pausas para se beijarem e corriam, o casal molhado entre sorrisos e risadas passou em frente a ele deixando-o surpreso, ele não conseguiu tirar os olhos dos dois até que sumiram de vista, ele levou o cigarro mais uma vez aos lábios e jogando o resto dele no chão, ele olhava a chuva caindo e aquela cena rodava mais uma vez em sua cabeça.
Aos poucos a chuva apertava, gostava daquele tempo ocioso que tinha, havia tempos que não tinha algo assim tão simples, foi entre pensamentos vagos que ele notou aquele casal que corria na chuva, não fugindo dela, mas celebrando o amor entre eles: dançavam, pulavam, davam pausas para se beijarem e corriam, o casal molhado entre sorrisos e risadas passou em frente a ele deixando-o surpreso, ele não conseguiu tirar os olhos dos dois até que sumiram de vista, ele levou o cigarro mais uma vez aos lábios e jogando o resto dele no chão, ele olhava a chuva caindo e aquela cena rodava mais uma vez em sua cabeça.
Por que o coração havia disparado
e aquecido tanto? Há quanto tempo não se sentia assim? Há quanto tempo não
amava alguém? Era um vazio só, o coração havia congelado, estava surpreso,
admirado em sentir-se daquela forma em ver o amor assim tão natural sendo
mostrado ao mundo, será que um dia ele conseguiria algo assim? Ou melhor, será
que um dia ele conseguiria ser assim? Talvez fosse a chuva que deixasse tudo
mais romântico, se fosse num dia de sol, talvez não teria tido tanto efeito
assim, pensou.
Cruzou os braços no estômago e
foi até o limite entre o toldo que o protegia e a chuva, examinou bem a água
que caía torrencialmente, levantou a manga e pôs o braço para fora sentindo a
chuva forte e gelada, cogitou em mergulhar o corpo naquilo, mas... Por que
sentia tanto medo? Era só água, ficaria molhado e, talvez, doente mais tarde,
nada muito grave. Era simples. Por que tanto medo em se arriscar em algo
simples? Talvez estivesse com medo de experimentar tamanha felicidade que
aqueles dois que celebravam o amor estivessem sentindo, mas não seria a mesma
coisa, ele não tinha o que celebrar, ou com quem, era só se molhar e acabou,
estaria satisfeito e já poderia ir para casa.
Sem que deixasse seus pensamentos
e medos o influenciassem de uma vez, entrou de baixo daquela chuva fria que o
encharcou de imediato, estava ofegante, não sabia se era pela “aventura” ou
pelo frio, e aquele sentimento quente invadiu o peito, sentia-se vivo, capaz de
tudo e todos, queria fazer tudo o que não fez antes.
Estava vivo, o coração batia
acelerado em seu peito, esfregou o rosto como se estivesse lavando-o com a água
da chuva, sorriu e aos poucos foi caindo até sentar nos calcanhares enquanto
olhava para cima sentindo a chuva batendo forte no seu rosto, sorriu com aquilo
e pensou que queria mais e não podia ficar parado ali, sentado no chão, então,
olhou em sua volta e não demorou muito para se levantar e começar a correr na
mesma direção que o casal, correu sem pensar direito, apenas correu e correu e
correu até chegar a uma praça famosa e gigante que estaria cheia se não fosse
pela tempestade, ofegava, descansou por alguns minutos e depois foi até a fonte
que tinha ali, fechou os olhos e listou vários desejos mentalmente: trabalharia
menos, amaria mais, daria outra oportunidade a si mesmo de viver e se
redescobrir, largaria o cigarro, riu com isso, abriu os olhos e gritou, gritou
suas dores, seu coração gelado e sua alma partida, desejou que aqueles
sentimentos nunca o deixassem mais, que nunca mais os seus medos e inseguranças
vencessem suas vontades, quis chorar, mas há quanto tempo não chorava? Não
importava, chorou de tristeza, felicidade, raiva, amor... o que fosse, e só
então que percebeu que havia uma plateia o observando de forma estranha, mas
sorrindo.
Eram eles, era o casal. Deu um
sorriso tão feliz, tão agradecido àqueles estranhos apaixonados, eles não
faziam ideia do que haviam feito por ele, oh, ele sorriu, sorriu sim, como
nunca antes, e os dois sorriram de volta até que de repente, os três ali, se
encarando todos bobos e felizes, gargalharam, gargalharam até não aguentarem
mais, até as lágrimas escorrerem quentes. Sem motivo algum, aquilo havia sido
divertido, e a partir dali, se apresentaram, brincaram e foram felizes por
horas a fio.
Talvez os três ali começassem uma
amizade, talvez não, mas a única certeza era de que guardariam aquela simples e
chuvosa tarde de outono em suas memórias com carinho e de que como tudo havia
sido simples.
Ah sim, naquele dia, eles haviam
descoberto o que era o amor e ele descobriu mil e umas coisas de novo, e entre
elas, o mais importante foi saber que a felicidade estava no simples e que
deixar de arriscar, podia ser deixar de ser feliz.
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