domingo, 29 de agosto de 2010

Carta.

cores vivas junto com a luz solar entram pela janela, penetrando em meus olhos. o sol avisa que a noite já se foi e que agora é a vez dele reinar, o sol diz que é um novo dia. os passáros saindo de seus ninhos, as pessoas acordando e eu aqui, sem nem dormir, pensando, escrevendo .

o vento fresco traz o cheiro de um novo dia, uma nova esperança, enquanto as idéias desaparecem, voltam e se vão de novo. o que eu posso escrever?

o azul se mesclando com o amarelo e laranja que cada vez mais vai aparecendo, o azul escuro mais claro fica.

cadê o cinza, cadê a paisagem cinza que eu tanto amo para me inspirar?

a imensidão branca rabiscada com algumas palavras ilegíveis em minha frente sem mais nada para me inspirar...

o sol, o sol está subindo cada vez mais, iluminando e ardendo e o calor vai aumentando, o tempo passa, passa do jeito que sempre passou, não retardada e nem acelera, continua uniforme, mas a minha impressão é que ele está mais devegar, o sol está surgindo mais devagar.

a ponta da caneta que tenho em mãos bate de maneira contínua sobre a folha branca com palavras ilegíveis, enquanto eu continuo a olhar a paisagem pela minha janela com o rosto apoiado na mão e o cotovelo na mesa.

nada sai, nada entra, minha mente fica como o papel em minha frente: algo totalmente vazio, com algumas palavras que eu não consigo decifrar o que são.

meu olhar entediado volta para o papel e um suspiro pesado escapa de meus lábios e mais uma vez o tempo me parece mais devagar, se arrastando para passar, o momento parecia uma eternidade.

eternidade... da eternidade ao presente, tudo foi ficando mais claro, não só a paisagem, mas na minha mente.

do branco as palavras ilegíveis, a resposta era aquela.

dobro o papel e o coloco dentro de um envelope, fechando o mesmo em seguida, saio de casa e a coloco a minha carta para ser entregue.

e se você quiser saber o que ta escrito nela, terá de vir aqui pra eu te contar.

2 comentários:

  1. "Ah, eu iria..."
    Era que se passava em minha mente
    "Eu entenderia as palavras ilegíveis,
    Mesmo que não as conseguisse ler,
    Eu as entenderia..."
    Eu repetia para mim mesmo
    Enquanto, também eu, tentava escrever
    E na falta do mesmo cenário cinza preferido
    Eu imagina uma praça num mundo alternativo
    Onde mesmo que sempre nublado, não chovia
    Onde em uma mesa no meio da verde grama
    Duas pessoas escreviam em cadernos surrados
    Com páginas faltando, de tentativas fracassadas
    Já arrancadas à dar lugar ao novo
    E todo o resto pouco importava

    Minha inspiração vem de ti
    Agora já tem algum tempo
    Tuas palavras, mesmo as mais inintendíveis
    Soam com uma clareza sobrenatural
    Como se só de imaginar teu rosto
    Toda minha percepção se apurasse
    À entender o impossível
    Com nuances tão suaves
    Quase borradas

    "Eu iria, ao inferno ou ao fim do mundo,
    Não importa para onde tenha remetido,
    Essas palavras ilegíveis,
    São, de certo, o que eu mais sonho em ler na vida"
    [Victor Waltz]

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  2. Perfeito D:
    Da não-inspiração você captou a inspiração. Cê é foda.
    Enfim, seu eu-lírico finalmente obteve inspiração an felicidade?


    L.

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